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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Conversão

Uma das mais belas canções que venho cantando ao longo dos muito anos de fé. Ele desceu do céu e verteu seu sangue para que nós, os pobres pecadores pudéssemos viver.

Oh! Quão cego andei e perdido vaguei
Longe, longe do meu Salvador!
Mas do céu Ele desceu, e Seu sangue verteu
Pra salvar um tão pobre pecador

Foi na cruz, foi na cruz
Onde um dia eu vi meu pecado castigado em Jesus
Foi ali, pela fé, que os olhos abri
E agora me alegro em sua Luz

Eu ouvia falar dessa graça sem par
Que do céu trouxe nosso Jesus
Mas eu surdo me fiz, converter-me não quis
Ao Senhor, que por mim morreu na cruz

Mas um dia senti meu pecado, e vi
Sobre mim a espada da lei
Apressado fugi, em Jesus me escondi
E abrigo seguro n'Ele achei

Quão ditoso, então, este meu coração
Conhecendo o excelso amor
Que levou meu Jesus a sofrer lá na cruz
Pra salvar a um tão pobre pecador

Foi na cruz, foi na cruz
Onde um dia eu vi meu pecado castigado em Jesus
Foi ali, pela fé, que os olhos abri
E agora me alegro em sua Luz

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Ateísmo pode não ser ausência de Deus, mas pode ser ausência de interpretações sobre Deus. Já parou pra pensar nisso!?

Meu filho me perguntou: Papai o que é um ateu?

Eu lhe disse:

Deus falou para o homem A: Eu sou o único Deus. O homem A a partir de então, começou a exigir que todos em sua volta só adorassem "seu" Deus. Quem não aceitava, morria.

Deus falou para o homem B: Eu sou o Deus que te ama. O homem B, começou a dizer, que o único Deus amoroso era o dele. Todas as pessoas devem amar o "meu" Deus.

O mundo então virou um cáos. Um mundo bipartido. Seguidores do Homem A, que se diziam servos do DEUS A. De outro lado, seguidores do homem B, que chamavam Deus de DEUS B.

No meio de toda a confusão, um rapaz indignado com as atrocidades praticadas em nome de DEUS, gritou na terra: Eu sou ateu.

Um Ateu pode não ser aquilo que pensamos, ou que sempre nos sugestionaram: Ausência de Deus!

Ateísmo pode ser ausência das interpretações humanas sobre Deus. Na história acima, Deus apenas queria com os homens falar, mas os seres humanos, sempre com "boas intenções" me parece sempre desejar dominar!

Deus é o mesmo Deus. Mas quando tenta se comunicar com o ser humano, este o rotula, põe nomes, da sentimentos, e diz fazer coisas que ELE na verdade nunca mandou. Religião é hermenêutica, é interpretação, é jogo da linguagem que sem a dose certa de alteridade, pode nos transformar em soldados doentes da maldade!

Como disse Rubem Alves, a "religião é tapeçaria que a esperança constrói com palavras. E sobre estas redes as pessoas se deitam. É, deitam-se sobre palavras amarradas umas nas outras. Como é que as palavras se amarram? É simples. Com o desejo. Só que as vezes, as redes de amor viram mortalhas de mede. Redes que podem falar de vida e podem falar de morte. E tudo se faz com as palavras e o desejo.".

Por isso Jesus disse "sede como crianças", pois elas, nascem sem preconceitos ou interpretações, apenas vivem, e sem guerras!


Rafael Dias

Deus, onde estas?

Uma belíssima canção nos motivou a trazer para a reflexão o tema “Deus, onde estas”?

Esta é uma pergunta ainda sem resposta para muitos de nós, achamos que Deus esta apenas no transcendente, em um lugar impossível de ser visto, tocado e entendido.

Porém, Deus é o verbo que se fez carne e habitou entre nós pra nos ensinar a viver. Viveu do jeito que ele quer que vivamos. Jesus diz a que veio quando manda o recado para João Batista: Vão, contem a João o que vocês viram e ouviram: os cegos agora veem, os mancos estão andando, os leprosos estão sendo purificados, os surdos estão ouvindo, os mortos estão sendo levantados e as boas novas estão sendo anunciadas aos pobres.

Jesus sai do transcendente para uma relação corpo a corpo, afirmando que o reino esta próximo, não no sentindo de que algo esta por chegar, mas de que o Reino já esta acontecendo, podemos fazer parte, tocar, sentir e viver a experiência do evangelho aqui e agora.

A canção mencionada na primeira linha desse texto faz uma pergunta ao próprio Deus, pois em alguns momentos ao olharmos a nossa volta, temos o sentimento de que Deus ainda esta apenas no além das fronteiras da nossa existência. Afinal, como diz alguns trechos da canção da Banda Palavra Antiga:

“O homem esqueceu o menino,
fez castelo de ouro e prata e perdeu a vida
Deus, onde estás?
Eu passei por aquele palco
Vi um grande homem fardado
Que gritava ao povo: "dinheiro"
Sem piedade
Ah! O homem passou
E se esqueceu da dor que sangra
Dentro do peito”


Existe um clamor, por cura, amor, alegria e esperança. Nossa reflexão nesses dias é por uma intervenção divina na realidade, mais do que isso, uma intervenção em nós para que sejamos resposta. Quem sabe a primeira pergunta que precisamos fazer é, onde está Deus em nós?

Jackson Vieira

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Crônica: Sobre minha saudade dos lírios – Vilto Reis


Ando preocupado com algumas coisas, e elas dizem respeito unicamente a mim, não estou julgando ninguém; e por isso resolvi escrever esta crônica.

Ultimamente, estou incomodado. Faz tempo que não ficava ansioso por realizações, mas por algum motivo, que me escapa, tenho carregado certa angústia por cumprir a próxima tarefa. Sim, se não fossem as listinhas – que em alguns finais de semana começam com doze ou treze itens –, não conseguiria dar conta de todas as tarefas. Contudo, esta ânsia por fazer tudo que se é necessário faz com que você se sinta como um personagem de vídeo game, programado para por alguns botões chegar à próxima fase.

A diferença é que eu sou um ser humano, acredito.

Que fique claro, não estou reclamando da quantidade de coisas que tenho para fazer, pois no dia em que eu parar de produzir levem-me flores, será o meu enterro. Mas o que me falta é distanciação, afastamento.

Embora sem menção a este trecho, quando lia um texto de Paulo Brabo esta semana, lembrei-me dos lírios do campo. E que saudade deles. E eu nem os conhecia – acreditem, fui procurar uma foto no Google (esta aqui me pareceu uma boa para ilustrar o que digo).

Eu quis/quero pegar um caneca de café – com leite e bastante açúcar -  e me sentar no meio de um campo, bater um papo com um ou dois amigos; ou talvez simplesmente contemplar o silêncio deles; fugir das relações efêmeras, superficiais, e refletir, observando “os lírios do campo, como eles crescem; [e] não trabalham nem fiam[1]

E é este o momento que tenho vontade de desconectar. De me desligar de um mundo virtual onde a maioria está mais propícia a atacar uma ideia, do que construir uma.

Em minha cabeça, eu tomo um lírio na mão, mas não o arranco, apenas o acaricio, pois eu desconectei, não tenho a necessidade de vencer o outro; simplesmente estou ali.
É cheiroso.
***
(Recomendo que assistam: “Disconnect to connect”, abaixo)



[1] Mateus 6.28

Por Vilto Reis

terça-feira, 23 de abril de 2013

Verdades camufladas


A construção dos argumentos é mais digna que os astutos feitos do diabo....aliás o diabo vira anjo bom diante dessa gente funesta....

Primeiro eles dizem que a bíblia é a Palavra de Deus, ou seja, na verdade não se quer atribuir a Deus, mas utilizar do recurso para legitimar qualquer ato humano que será dito em nome de Deus. Capitche?

É mais ou menos assim, o falastrão dirá: "Quando você der o que eu estou pedindo, você estará depositando uma semente no reino de Deus, então vai se cumprir o que diz a Biblia (a palavra de Deus) que você vai colher sem medida, 100 vezes mais)...

Entendeu a construção do argumento, joga a mentira em meio a uma verdade, pronto, colou! Ao dizer que a Biblia tem valor, o objetivo não é falar de Deus, mas legitimar as mentiras que serão imbuídas nas entrelinhas do discurso.

Aí, você que faz uma faculdade de teologia, idônea, descente, reconhecida pelo MEC ( PUC-Rio, UMESP, Unidas-ES, FABAT) aprende o que a bíblia é na verdade, então, você que estudou passa a ser chamado de Herege!

Prazer, sou o mais novo herege!

Por Rafael Dias

quarta-feira, 27 de março de 2013

Crônica: A maior religião do país

Religiosamente todos os finais de semana, fiéis convergem dos mais inóspitos lugares em direção às basílicas. Famílias inteiras, levando crianças de colo para serem educadas desde cedo no caminho. O fascínio no rosto dos pequenos contrasta com o fanatismo na face dos anciões.

Você está em qualquer grande cidade do país e vê como todas elas são afetadas pelos intensos cultos, onde religiosos fundamentalistas defendem sua fé, discutindo entre as várias linhas teológicas indicadas por seus ídolos e escudos representativos. Os debates são intensos, nalguns casos, começam no café da manhã e acabam no jantar. A TV a cabo tem mais de vinte canais de transmissão deste fenômeno religioso brasileiro. Não há como fugir.

Os mais dedicados a esta religião consumem todos os produtos, ostentando, cada qual com a cor que representa determinada facção, o que chamam de manto sagrado.

Nos cultos, entoam cânticos que visam motivar aos sacerdotes de seu credo. A fé é inabalável.

Não há duvidas, quando a bola rola, na maior religião do Brasil – falo do futebol, obviamente – os corações são tocados, a emoção fica ativa e a razão é abandonada.

Esta ideia não é original – alguma coisa é? –, mas uma adaptação da ideia utilizada no livro Deuses Americanos, de Neil Gaiman. Nesta obra, utilizando-se do conceito de mitologia praticado nos povos antigos – em que cada ponto relevante àquela sociedade vira uma divindade –, Gaiman cria deuses pautados no mundo moderno; um deles, por exemplo, seria o deus Fama, que não precisa de explicações – ou será que preciso dizer o quanto é supervalorizado o status de famoso em nossa época?.

Ao pensar sobre qual seria a crença/ponto de envolvimento emocional do brasileiro, cheguei a conclusão que nada é mais forte que o futebol – diga-se de passagem que não estou dando uma opinião, apenas relatando algo que vejo – embora, sinceramente, há algum tempo que perdi o hábito de todos os finais de semana assistir a jogos televisionados – e por isso registro –. Nesta perspectiva, chamo a atenção ao fato de quantos de nós já não termos ouvido dalgum torcedor que “torcer no estádio é diferente”, “uma coisa boa que todos sentem”; notaram as semelhanças com o discurso religioso?

Não estou propondo que o futebol vire uma religião, mas sim que os fiéis – digo, fãs – dos times militam da mesma forma que os religiosos condenados por eles. O fato é que ninguém para com intuito de refletir na questão. Os processos são os mesmos de adeptos e torcedores: hinos, cantos, reuniões, sócio-torcedores/membros, jogos/cultos, entre outros.

O futebol é realmente a religião mais praticada do Brasil, levando vantagem sobre as outras no quesito de seus fiéis serem muito mais fanáticos – ainda não vi por aqui grupos de outras religiões organizarem “brigas organizadas entre si”, já sobre o esporte da bola, não posso dizer o mesmo. 

Enfim, diante de tanto religiosismo, fico tentado a afirmar que Deus deve ser brasileiro, mas não posso levantar esta hipótese, afinal o papa é argentino.

Por Vilto Reis.