segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Deus da Lei da Semeadura, ou Deus de Graça e propósitos eternos?

Eu nunca fui muito fã da tão divulgada entre os cristãos, Lei da Semeadura! Afinal, sempre caí na seguinte questão, se existe tal lei, o que fez de mal meu Salvador, para colher a Cruz?. Ademais, em nada tenho o sofrimento como algo que rebaixe a sociabilidade ou condição humana, antes, vejo nos sofrimentos, sejam eles por escolhas próprias ou aqueles impostos pela dinâmica da vida como experiências que nos enriquecem. Não, não estou fazendo apologia a dor ou ao sofrimento, mas quiça, todo ser humano compreendesse que cada aspereza da vida, pode ser empreendida ou compreendida como "oportunidade de crescimento" conforme diz Leonardo Boff .

As dores e os sofrimentos pelos quais passei (até o momento presente), colhidos por semeaduras ou não, conforme queiram julgar, para mim apenas entendo o seguinte: fizeram-me ser um ser-humano melhor. Ninguém sai da "zona de conforto" sem ser incomodado, sem pressão. No sofrimento somos envolvidos por turbilhões de sentimentos, e foram justamente essas guerras de emoções emanadas de ambientes doloridos que fizeram homens como Lutero, Luther King, Mandela, Zumbi dos Palmares, Gandhi, entre muitos outros que fizeram diferença a seu tempo, e que seus atos ainda hoje são contados no dia-a-dia ou nos livros de história e auto-ajuda.

Os textos da Sagrada Escritura, no Antigo Testamento, nos informam que Jó era um "homem temente e fiel a Deus"... conjectura-se e entende-se que todos seus atos eram bons, ou seja, Jó é um ser humano muito bom, praticamente perfeito sob a ótica da ética humana, porém, sofreu muito mais que outros homens ruins, também escritos nos textos sagrados, como por exemplo Saul, Acabe, Jezabel, Herodes, Pilatos. Esses homens ruins tiveram talvez - aos nossos olhos humanos - mortes prematuras, mas nem a morte e ou o sofrimento são resultados de ações da vida, como pagamento, pois como disse o apóstolo Paulo, a morte já não é mais inimiga, pois seu poder foi aniquilado pelo Deus que se fez homem, Jesus!

A lei da semeadura em alguns sentidos, precisa ter seu método de interpretação revisto, pois por exemplo, as pessoas possuídas pelos espíritos de Falso Profeta, Anti Cristo e etc., segundo a Bíblia não vão colher a nossos olhos coisas ruins, antes serão exaltados entre os homens, e muitas vezes dentro da instituição igreja. A bíblia fala que suas obras, seus atos seriam tão "esplêndidos" que SE POSSÍVEL ENGANARIAM até mesmo os escolhidos!

Jesus sofreu, e nada fez por isso, a não ser amar e expor a verdade, e por meio de SEU sofrimento, conforme predisse o profeta Isaías, fomos todos sarados de nossas enfermidades. 

Através da dor e do sofrimento compreendemos que somos todos iguais no sentido de humanidade. Não é por acaso que o Messias, o Cristo haveria de padecer! A vitória de Jesus de Nazaré começou com sofrimento, e não pouco, mas exageradamente muito! A ressurreição mostrou ao mundo que a vitória sobre a morte começou com a dor de DEUS na cruz.

Jesus não foi acreditado pelos judeus, também, por eles não entenderem como poderia o MESSIAS, o DEUS encarnado sofrer, e não fazer nada além de dizer "Está consumado!". Nas palavras do Dr. Jack Miles: Cristo, um Deus fraco...que fortalece!

É certo que quem perder a vida aqui, com sofrimentos e angústias, tem a esperança como diz os textos Apocalípticos de João, que surgirá novos céus e nova terra, e lá não haverá mais sofrimento, choro, porque tudo que se passa aqui hoje, já não mais existirá lá!

Deus, conforme minha crença pessoal usa todos e tudo, conforme Seus eternos propósitos, pois "Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido." (Jó 42 : 2)

Os motivos pelo sofrimento de Jó, ainda hoje, são objetos de estudos entre teólogos, leigos e acadêmicos de história comparada, mas é certo ao menos uma coisa: Deus se fez presente na história de Jó do início ao fim. Muitos "contos" são desmentidos na história de Jó, como por exemplo, todo sofrimento é fruto de atos ruins... mas outros ensinamentos ricos são construídos também, que Deus nos usa conforme Seus propósitos.

Finalizo aqui apresentando o texto capítulo 42, verso 10 de Jó "E o SENHOR virou o cativeiro de Jó, quando orava pelos seus amigos; e o SENHOR acrescentou, em dobro, a tudo quanto Jó antes possuía." No sofrimento, Jó se conecta com Deus, não para orar por si, mas por seus amigos e Deus o abençoa grandemente virando seu cativeiro!

Que o nosso Brasil possa aprender com as dores e sofrimentos do passado, do presente e do futuro, não para alterar o que se passou, mas para viver o presente de modo diferente, e então, vislumbrarmos um futuro melhor. Quando este dia chegar cantaremos todos que "ouviram do Ipiranga as margens plácidas" de um povo humilde e humano, demasiadamente humano!

Abraços,




Rafael Dias

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