segunda-feira, 16 de abril de 2012

Aborto, já que foi aprovado: fazer ou não fazer, agora será a questão!


Estou estudando a crítica da razão pura do filósofo Immanuel Kant, e fico admirado quando sou incitado a ter na fé a clarificação de toda obscuridade que não pode ser apreendida pela experiência sensorial. Daí disserta que a despeito do sentido da vida, há muito mais perplexidade e espanto do encontro do homem diante da morte do que na busca pelo sentido da vida. Que o diga Sartre! A morte é inexplicável, seu sentido é incomensurável (até aqui penso)! Diante do absurdo da morte, através do conhecimento a priori, resta ao homem contemporâneo, alardeado e imerso em um mundo que o pressiona à trilha positivista, resta trilhar rumo ao ceticismo da vida. Muito pior, duvidar do valor da vida, da vida humana!

É claro que não sou a mãe, não sou o ser humano que nutre dentro de si um embrião em processo para a vida. Não sou a mulher que perpassará entre a dor de gestar uma vida, sob nossa ótica, sem vida! Não sou a mulher que antes, muito antes ao julgamento da sociedade, em caso de opção ao aborto, carregará a dor dual, de ter-se extraído de si o projeto de vida e ter que carregar na consciência o estigma da mulher abortiva. Mas também não sou feto, que nunca sabemos se senti ou não a dor de sua prematura partida da vida. Como já disse, não sou a mãe, mas é certo que eu poderia ter sido o feto, que em um silencio não explicado ainda pelos homens através da ciência, irrompe em sua “proto-racionalidade” um clamor ao Deus desconhecido pedindo apenas vida, traduzida por esperança! É a esperança que nutre quando não há saúde! Não sou a mãe e não sou feto, certo? Mas sou o ser humano, que se um dia for diagnosticado com morte cerebral, desde já clamo, NÃO DESLIGUEM OS APARELHOS, pois o homo faber ainda não aprendeu a fabricar milagre, e desaprendeu a esperança, mas eu a tenho, e a minha limitada mente ainda a alcança!

Uma coisa é certa, todas as religiões acreditam haver um Deus ou deuses. E que esse(s) possuem poder, força e influência na vida humana. Acreditar fundamentalmente que o direito de escolha de interrupção da gestão por parte da mãe é uma correção de dignidade humana, é acreditar que o Deus, ou deuses, em todas as expressões religiosas foram todos derrotados, desacreditados, enfim, nenhuma esperança resta aos mortais. Partindo do pressuposto que o Deus, ou os deuses não mais existem, então podemos desconstruir tudo que foi construído até o momento e refazermos as sociedades sem dó e sem piedade!

E não teço o discurso com qualquer pretensa a confessionalidade, faço-o de mente e espírito abertos, mas de tal forma que se limita a uma dialética que perpasse e ressalte o valor da vida humana. A restrição da dor da mãe, com a alternativa da morte ao feto, é um anestésico com todo sentido carregado desde as origens epistemológicas da palavra no grego. É causar apenas, momentaneamente uma paralisia, que em um futuro ressuscitará ou transfigurará em letargia.

Finalizo com o depoimento emocionante de um avô que disse: “…tenho uma netinha com 2 anos de idade, ela nasceu com má formação cerebral (agenesia do corpo caloso). Ela não anda, não fala, ouve muito mal e com aparelho auditivo, até hoje não sabemos se ela é cega ou não. Musculatura toda flácida, enorme dificuldade para se alimentar. Sabemos que o seu processo de desenvolvimento será nulo ou muitíssimo lento. Ela tem um atraso mental expressivo. Quando ela nasceu ficamos assustados com a perspectiva dela não SOBREVIVER. Mas ela encontrou, aqui, tanto AMOR e CARINHO que ainda se encontra entre nós e esperamos que por um longo tempo. Dá trabalho ? Claro, um trabalhão ! Mas a vida dela vale cada CENTAVO que a minha filha investe nela. Presente de DEUS não se escolhe!”


Se não há choro diante da morte, porque lutar pela vida!?

Paz, Rafael Dias.
OBS.: A vida é feita de escolhas, como disse anteriormente, não luto contra a decisão do STF, pois o órgão tem legitimidade para legislar, e no bordão popular "não choro o leite derramado". Mas vale lembrar que o que se está em questão primeiro, (1) são vidas que estão em jogo (mãe, pai e família), que após a decisão necessitarão de amparo especial, que tal já esteja previsto, e (2) a preocupação real do objeto todos sabemos não ser o feto com ausência de cérebro, mas a próxima pauta, podem crer, sem qualquer pretensão apocalíptica, será a autorização para o aborto dos fetos com cérebro. E a questão mais uma vez será: é de utilidade pública, questão social etc.

O caminho econômico já está pronto pra isto, o que não me assustará quando da legalização total do aborto, já haver clínicas, aparato, especializações acadêmicas, medicações próprias, e as famosas licitações para clínicas particulares atenderem ao SUS.

Não sintam-se ofendidos com minha posição. Todos temos que tomar posições ante diversas questões da vida. Seja pessoal, acadêmica, profissional... posso mudar de idéia, sou humano. Os problemas do sofrimento humano e mazelas sociais não se resolvem com a morte. Ao menos não deveriam.

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